
Entrou.
Teve a sensação instantânea de ter mergulhado num pote de mel infinitamente delicioso. Os sentidos inebriaram-se-lhe, as sensações emanadas pelo corpo de Ariana tornaram-se mais fortes, o cheiro perfumado a lavanda mais intenso, o amarelo dos olhos mais dourado, o toque na pele mais macio, o calor do corpo mais quente, o sabor da saliva mais doce. As montanhas, o lago, as cores, o frio, a luz, tudo isso desapareceu, tudo isso se esfumou perante a intensidade daquele momento de paixão.
O universo resumia-se agora a duas coisas e a duas só. Tomás e Ariana, ele e ela, o verde e o dourado, o ferro e o veludo, o suor e a lavanda, o chocolate e o mel, o tronco e a rosa, a prosa e a poesia, a voz e a melodia, o yin e o yang, dois corpos fundidos num só, dissolvidos sobre a pedra dura, unidos num movimento ritmado, moldados numa dança longa, lenta e rápida, sôfrega, esfaimada, os gestos coordenados, bailando ao ritmo dos gemidos, ele dando e ela recebendo, sempre com mais força, mais força, mais força.
Gritaram.
No momento em que sentiu uma explosão de cores e luzes e sensações percorrerem-lhe o corpo, em que toda a eternidade se estendeu por um efémero e infinito instante, em que a paixão se elevou acima da montanha mais alta e a fusão ficou enfim completa, nesse momento de epifania Tomás soube que a sua busca terminara, que aqueles olhos de mel eram a sua perdição, que aqueles lábios eram a sua flor, que aquele corpo era a sua casa.
Que aquela mulher era o seu destino.
In "A Fórmula de Deus" de José Rodrigues dos Santos.